fofack19_BRICS  HandoutAnadolu Agency via Getty Images_BRICS BRICS Handout/Anadolu Agency via Getty Images

Os BRICS atingem a maioridade

CAIRO – Quase 22 anos depois de Jim O’Neill, na altura um economista na Goldman Sachs, ter criado o acrónimo BRIC para captar o potencial económico do Brasil, da Rússia, da Índia e da China, o grupo – denominado BRICS desde a inclusão da África do Sul – contribui mais para o PIB mundial (em termos de paridade do poder de compra) do que o G7. O Fundo Monetário Internacional prevê que a China e a Índia, por si só, gerarão cerca de metade do crescimento mundial este ano.

Mas com as tensões geopolíticas em alta e a intensificação do uso do dólar como arma para fins de segurança nacional, os BRICS assumiram um novo significado, oferecendo desvios comerciais e outras compensações para enfraquecer a eficácia das sanções e acelerar a transição para um mundo multipolar. Desde 2014, o comércio da Rússia com os países do G7 caiu mais de 36%, devido às sanções ocidentais sem precedentes, ao passo que o seu comércio com os outros países do grupo BRICS aumentou mais de 121%.

Na sequência da proibição pela União Europeia das importações de produtos petrolíferos russos no ano passado, a China e a Índia têm sido os dois principais compradores de crude russo. O comércio bilateral entre a China e a Rússia tem sido particularmente marcante nos últimos anos, atingindo um recorde de 185 mil milhões de dólares no ano passado.

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