adebajo1_EDUARDO SOTERASAFP via Getty Images_peacekeepers EDUARDO SOTERAS/AFP via Getty Images

A crise da manutenção da paz em África

PRETÓRIA – No mês passado, o presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, exigiu que as Nações Unidas começassem a retirar os seus 17 mil militares de manutenção da paz do seu país até dezembro. Em junho, o regime militar do coronel Assimi Goïta, no Mali, fez a mesma exigência; a ONU vai concluir a retirada dos seus 12 mil soldados da paz daquele país até janeiro. Entretanto, a União Africana está a retirar as suas forças de manutenção da paz – mais de 15 mil militares – da Somália, devido à relutância dos governos ocidentais em continuarem a financiar a missão.

Estas saídas inoportunas irão agravar a instabilidade nas regiões mais voláteis de África: Sahel, Grandes Lagos e Corno de África. Por essa razão, põem em evidência a crise crescente da manutenção da paz em África.

Na origem desta crise está um paradoxo. As forças de manutenção da paz da ONU – 84% das quais estão destacadas em África – tendem a dispor de bons recursos, mas recusam-se frequentemente a empreender missões perigosas de aplicação da lei para proteger populações em risco. As forças de manutenção da paz africanas, pelo contrário, estão mais dispostas a fazer o que é necessário para impor a paz, mas raramente recebem os recursos logísticos e financeiros de que necessitam.

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