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África não se pode dar ao luxo de ter uma segunda guerra fria

CAIRO – Mais de 20 mil africanos foram mortos em conflitos violentos em 2020, quase dez vezes mais do que dez anos antes. Ao mesmo tempo, e talvez não seja coincidência, a rivalidade sino-americana aumentou drasticamente. Uma nova guerra fria, desta vez entre os Estados Unidos e a China, juntamente com outras ameaças à segurança regional, poderia ser desastrosa para o desenvolvimento económico e a transição verde de África.

O aumento dramático de conflitos de alta intensidade em África coincidiu com duas tendências muito importantes: a expansão das redes terroristas transnacionais, sustentadas por uma enchente de combatentes estrangeiros itinerantes e a proliferação de bases militares estrangeiras entre as crescentes tensões geopolíticas sino-americanas. Esta disputa global para projetar poder deu origem a conflitos por procuração em toda a região – inclusive na Etiópia, onde se encontra a sede da União Africana – enquanto os EUA e a China disputam o controlo dos recursos naturais e das rotas comerciais estratégicas.

Em 2019, 13 países estrangeiros realizavam operações militares em solo africano – mais do que em qualquer outra região – e a maioria tem várias bases por todo o continente. África é o lar de pelo menos 47 postos avançados estrangeiros, com os EUA a controlarem o maior número, seguidos pela França. Tanto a China como o Japão estabeleceram as suas primeiras bases militares no estrangeiro desde a Segunda Guerra Mundial em Djibouti, que é o único país do mundo a acolher postos avançados americanos e chineses.

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